Teste de corrosão em fios: o ensaio que mede a velocidade da degradação em sistemas eletrificados

Neste artigo você vai entender: A migração para veículos elétricos, híbridos e arquiteturas eletrônicas mais compactas trouxe um problema antigo de volta para o centro da engenharia de materiais: a corrosão em condutores expostos a

Eduardo Barbosa

11/05/2026

11/05/2026

6 min de leitura

Teste de corrosão em fios

Neste artigo você vai entender:

  • Por que o teste de corrosão em fios virou parâmetro decisivo no desenvolvimento de fluidos para veículos elétricos e híbridos.
  • Como o ensaio acompanha a progressão da corrosão em fase líquida e vapor durante 72 horas.
  • A relação entre o WCT e o teste de depósitos condutivos (CDT, ASTM D8544) na avaliação de fluidos para sistemas eletrificados.

A migração para veículos elétricos, híbridos e arquiteturas eletrônicas mais compactas trouxe um problema antigo de volta para o centro da engenharia de materiais: a corrosão em condutores expostos a fluidos. O teste de corrosão em fios (em inglês Wire Corrosion Testing, ou WCT) responde a essa demanda. O ensaio mede a velocidade com que o cobre de enrolamentos, conectores e eletrônica de potência se deteriora em contato com lubrificantes, fluidos refrigerantes e seus vapores em temperatura elevada.

A diferença em relação aos métodos clássicos está no ponto de saída. Ensaios convencionais identificam a presença da corrosão apenas ao fim do ciclo de teste. O WCT, em contrapartida, registra a progressão durante a prova, em fases líquida e vapor, e converte os dados em uma curva quantitativa. Por isso, o ensaio passou a integrar a SAE J3200, documento de referência para fluidos de trem de força automotivos eletrificados.

O que mede o teste de corrosão em fios

O WCT trabalha com uma placa fiada que recebe corrente elétrica durante 72 horas, em temperaturas típicas de 130 °C ou 150 °C. Uma parte do conjunto fica imersa no fluido em análise. A outra permanece acima da superfície, exposta apenas ao vapor. Como resultado, o ensaio gera dois conjuntos de dados simultâneos: um do contato direto, outro do ataque por fase vapor. Dessa forma, a combinação reproduz o que acontece em motores elétricos, inversores e malhas de gerenciamento térmico em operação real.

Durante o teste, o sistema acompanha a condutância do fio. Ao passo que a corrosão consome material da seção do condutor, a resistência elétrica sobe. O algoritmo, em seguida, converte essa variação em uma estimativa de redução do diâmetro do fio, que é o indicador quantitativo do ensaio. Quanto mais agressivo o fluido, maior a perda de seção por hora.

Por que a corrosão virou ponto crítico em sistemas eletrificados

Em motores de combustão, o cobre dos enrolamentos quase nunca encontra o lubrificante. Em contrapartida, em motores elétricos integrados (e-axles), a história muda. O fluido refrigerante circula em contato direto com os enrolamentos do estator e com a eletrônica de potência. Por isso, qualquer reação química entre o fluido e o cobre traz consequências em série: elevação da resistência, aumento de aquecimento local, perda de eficiência e, no limite, falha do enrolamento.

A indústria já registrou eventos desse tipo. Por exemplo, bobinas inteiras de motores elétricos pararam por curtos provocados por depósitos condutivos formados a partir da degradação do fluido. Em arquiteturas compactas, em que o espaço entre traços e enrolamentos é menor, esse tipo de falha aparece mais cedo no ciclo de vida.

Como o ensaio acontece na prática

Um ciclo padrão do WCT segue esta sequência:

  1. Em primeiro lugar, montagem da placa fiada com os condutores expostos.
  2. Em segundo lugar, imersão parcial no fluido (a outra parte permanece em contato com o vapor).
  3. Em seguida, aquecimento controlado em 130 °C ou 150 °C, conforme o protocolo.
  4. Logo após, energização e monitoramento contínuo da condutância por 72 horas.
  5. Por fim, conversão dos dados em resistência e variação efetiva do diâmetro do fio.

A operação é remota. Assim, o analista inicia o teste, encerra e baixa os dados sem necessidade de acompanhamento presencial. Esse perfil ajuda laboratórios que conduzem múltiplas frentes simultâneas e precisam liberar bancada para outras análises.

ASTM D8544 e a complementaridade entre WCT e CDT

O teste de corrosão em fios raramente caminha sozinho. A ASTM D8544 padroniza o teste de depósitos condutivos (CDT, Conductive Deposit Test), pensado para rodar em paralelo. O CDT não mede corrosão; mede outra coisa. Ou seja, ele avalia a tendência do fluido em gerar depósitos condutivos entre traços de uma placa, em fase líquida e vapor, a 150 °C.

A placa do CDT usa um espaçador na região mais sensível do circuito. Sempre que o fluido em teste favorece a formação de dendritos condutivos, esses depósitos atravessam o vão entre os traços e provocam pequenos arcos elétricos. O ensaio, portanto, registra cada evento e devolve o fator de depósito condutivo, número que indica a propensão do fluido à falha por isolamento perdido.

WCT e CDT, juntos, cobrem dois mecanismos diferentes da mesma família de problemas. Um por perda de material no condutor. Outro por ganho de material em região que deveria estar isolada. Por essa razão, a combinação virou rotina em programas de qualificação de fluidos para conjuntos motrizes elétricos.

Aplicações fora da mobilidade elétrica

Embora o método tenha nascido em torno de veículos eletrificados, o uso do WCT se ampliou. Operadores de data centers, por exemplo, começaram a aplicar o ensaio em fluidos de resfriamento por imersão, em que servidores ficam mergulhados em dielétricos. Fabricantes de baterias, igualmente, usam o teste para qualificar refrigerantes em packs com placas frias. Em células a combustível, o ensaio avalia interações entre o cobre dos coletores e os fluidos de gerenciamento térmico.

A flexibilidade do ensaio permite ajuste de temperatura, atmosfera e fluido, o que dá margem para protocolos sob medida. Em razão disso, o WCT funciona como triagem inicial em formulação química, antes que um candidato a fluido vá para ensaios de bancada mais caros.

Como a Alutal SCI viabiliza o ensaio no Brasil

A Alutal SCI representa no Brasil a Tannas Company e a Savant Labs, referências internacionais em ensaios para a indústria de fluidos. O instrumento utilizado é o TanEV WCT™, que automatiza todo o ciclo de 72 horas e disponibiliza os dados para análise remota.

Para laboratórios brasileiros que estão entrando em programas de qualificação de fluidos para veículos elétricos, a decisão entre terceirizar o ensaio em laboratório certificado ou adquirir o equipamento depende de volume e estratégia. A Savant Labs, em Midland (Michigan, EUA), atende projetos pontuais sob contrato. Uma vez que o ensaio passa a ser rotina, como em fabricantes de lubrificantes, OEMs e fornecedores Tier 1 com pipeline ativo de novos fluidos, o TanEV WCT™ instalado in-house elimina a dependência logística e acelera o ciclo de desenvolvimento.

A Alutal SCI dá suporte às duas modalidades. Em projetos pontuais, intermedia o envio das amostras para a Savant Labs e devolve o laudo ao cliente brasileiro. No entanto, em casos de uso recorrente, importa o equipamento, treina os operadores e acompanha a rotina de calibração e qualificação do método. Os procedimentos correspondem ao que a SAE J3200 recomenda como tecnologia de ensaio de corrosão para fluidos automotivos eletrificados.

Eduardo Barbosa

Mestre em Química Analítica pela UFPR e Especialista em Engenharia de Manutenção pela PUC-PR, trabalha há mais de 20 anos com Instrumentação Analítica de Laboratório e Processo. Atua na promoção e vendas do portfólio de equipamentos de laboratório, identificando novas oportunidades de negócios e parcerias estratégicas em Química Analítica.

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